Quanto custa registrar uma marca no INPI

Por Redação ABS Brands9 min de leitura
Pilha de documentos oficiais de registro de marca sobre fundo azul profundo, com selo de lacre dourado
Resumo rápido

O registro de uma marca no Brasil tem dois grandes blocos de custo: as retribuições oficiais do INPI, pagas em dois momentos, e o trabalho técnico de quem conduz o processo. O valor cheio costuma ficar bem abaixo do que empresários imaginam. O caro é o outro lado da conta: perder o nome depois de investir anos nele.

O essencial
  • A taxa oficial do INPI é cobrada em dois momentos: no depósito do pedido e na concessão do registro, com o primeiro decênio incluído.
  • Microempresas, MEIs, startups enquadradas, pessoas físicas, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa têm direito à retribuição reduzida.
  • Cada classe de produto ou serviço é um pedido separado, com taxa própria. Marca em três classes significa três pedidos.
  • O registro vale dez anos e é prorrogável indefinidamente, o que dilui o custo anual a um valor irrisório diante do risco.

A pergunta chega quase sempre no mesmo formato: "quanto custa registrar uma marca?". E quase sempre quem pergunta já tem em mente um número inflado, herdado de alguma conversa de corredor. A conta real é mais simples do que parece e se divide em duas partes que convém não misturar: o que vai para o Estado e o que vai para quem conduz o processo.

Vamos abrir as duas.

As retribuições oficiais do INPI

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial cobra por serviço prestado, segundo uma tabela de retribuições publicada e atualizada periodicamente. No caminho normal de um registro de marca, você encosta em dois lançamentos obrigatórios.

O primeiro é o pedido de registro, pago no momento do depósito. Ele reserva a sua data de prioridade, que é o ativo mais valioso de todo o processo. O segundo é a concessão com o primeiro decênio, pago depois do deferimento, quando o INPI já decidiu a seu favor e emite o certificado com validade de dez anos.

MomentoO que é cobradoQuem paga o valor reduzido
No depósitoPedido de registro, por classeMEI, ME, EPP, pessoa física, cooperativa, instituição de ensino e pesquisa, órgão público
Após o deferimentoConcessão + primeiro decênio (10 anos)Mesmos beneficiários acima
A cada 10 anosProrrogação do registroMesmos beneficiários acima
Quando necessárioOposição, recurso, manifestação, transferência de titularidadeMesmos beneficiários acima
Os valores são reajustados pelo INPI. Consulte sempre a tabela de retribuições vigente no portal do órgão antes de fechar um orçamento.

A retribuição reduzida não é um detalhe: ela corta o valor oficial de forma expressiva e alcança a maioria dos nossos clientes, porque a maior parte do tecido empresarial brasileiro é micro e pequena empresa. Para ter direito, o enquadramento precisa estar comprovado no momento do pedido, e o INPI pode exigir a documentação. Declarar enquadramento indevido é caminho para o arquivamento do processo, então esse é um dos pontos em que vale ter alguém experiente conferindo.

O honorário de quem conduz o processo

Aqui mora a variação de mercado. Existe quem cobre pouco para apenas apertar o botão de protocolo, e existe quem cobre por um trabalho que começa antes do pedido e só termina com o certificado na mão.

A diferença entre os dois não aparece no dia do depósito. Aparece dezoito meses depois, quando surge uma oposição de terceiro e alguém precisa redigir a defesa dentro de um prazo de sessenta dias que não se prorroga.

O que deveria estar contemplado num honorário sério:

  • Busca de viabilidade na base do INPI, com leitura de colidências gráficas, fonéticas e ideológicas, e não só de nomes idênticos.
  • Definição correta das classes e da especificação de produtos e serviços.
  • Depósito do pedido e emissão das guias.
  • Acompanhamento semanal da Revista da Propriedade Industrial, publicada às terças-feiras, durante todo o trâmite.
  • Defesa técnica quando houver oposição, exigência ou indeferimento.
  • Emissão e entrega do certificado, mais o controle da data de prorrogação.

Um pedido protocolado sem busca prévia é uma aposta paga adiantada. Se a colidência existia e ninguém olhou, o dinheiro da taxa não volta.

Quanto tempo até o certificado

Custo e prazo andam juntos, porque o segundo pagamento só acontece lá na frente. O INPI reduziu bastante o backlog na última década, mas o caminho continua tendo etapas fixas.

  1. Semana 1

    Busca de viabilidade e definição de classes.

  2. Semana 1 a 2

    Depósito do pedido e pagamento da primeira retribuição.

  3. Cerca de 30 a 60 dias

    Publicação do pedido na Revista da Propriedade Industrial e abertura do prazo de 60 dias para oposição de terceiros.

  4. Meses seguintes

    Exame de mérito. Pode haver exigência, oposição a contestar ou parecer direto.

  5. 12 a 24 meses

    Deferimento, pagamento da concessão e emissão do certificado com validade de dez anos.

Vale insistir num ponto que quase ninguém explica: a proteção não começa no certificado. Ela retroage à data do depósito. Quem deposita primeiro tem prioridade, e é por isso que adiar o pedido é a decisão mais cara de toda essa história.

Os custos que ninguém coloca na planilha

O orçamento visível é o menor dos números. O que costuma quebrar caixa é o que acontece quando a marca não está registrada.

  • Troca de nome depois de anos de operação: fachada, embalagem, rótulo, uniforme, frota, site, redes sociais, material impresso e, principalmente, o reconhecimento construído com o cliente.
  • Notificação extrajudicial de um titular que registrou antes: em geral vem com prazo curto e pedido de abstenção imediata de uso.
  • Ação judicial por uso indevido, com risco de indenização e de busca e apreensão de produtos.
  • Perda de canal de venda: marketplaces e grandes redes pedem certificado de registro para credenciar fornecedor.
  • Bloqueio de expansão por franquia, porque não se licencia o que não se tem.
  • Reprovação em due diligence de investimento ou de venda da empresa, quando o comprador descobre que a marca não é do vendedor.

Distribuídos ao longo dos dez anos de vigência, os custos do registro dão um valor mensal que não paga um almoço de negócios. Do outro lado da balança está a possibilidade de perder o nome pelo qual o mercado conhece a empresa. A assimetria é grosseira.

Como comparar propostas sem se enganar

Se você está com dois ou três orçamentos na mesa, pergunte o seguinte antes de decidir pelo mais barato:

  1. 01A busca de viabilidade está incluída e vem com parecer por escrito, ou é só uma consulta rápida no site?
  2. 02Quantas classes estão contempladas no valor apresentado?
  3. 03As retribuições do INPI estão dentro ou fora do preço? Qual delas?
  4. 04Oposição, manifestação e recurso estão incluídos, ou serão cobrados à parte quando aparecerem?
  5. 05Quem acompanha as publicações semanais e como você é avisado de cada movimentação?
  6. 06A prorrogação do décimo ano está no radar de alguém?

Nos planos da ABS Brands essas respostas estão escritas antes da contratação, sem letra miúda. O acompanhamento de cada movimento do INPI chega até você por WhatsApp e e-mail, com a equipe avisando antes de você precisar perguntar.

O que a lei diz

A propriedade da marca no Brasil se adquire pelo registro validamente expedido, conforme o artigo 129 da Lei 9.279/96, a Lei da Propriedade Industrial. O uso anterior por si só cria apenas um direito de precedência limitado, previsto no mesmo artigo, e que exige prova de uso de boa-fé por pelo menos seis meses antes do pedido de terceiro. É uma exceção estreita, difícil de sustentar e que nenhum empresário deveria escolher como estratégia.

A regra prática é curta: no Brasil, marca não é de quem usa há mais tempo. É de quem registra primeiro.

Perguntas frequentes

Quanto custa registrar uma marca no INPI?

O custo tem duas partes. As retribuições oficiais do INPI são pagas em dois momentos, no depósito do pedido e na concessão com o primeiro decênio de dez anos, e têm valor reduzido para MEI, micro e pequena empresa, pessoa física, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa. A segunda parte é o honorário do escritório que conduz o processo, que varia conforme a busca de viabilidade, o acompanhamento e as defesas incluídas.

O valor cobre quantas classes?

Uma taxa oficial cobre um pedido, e cada pedido corresponde a uma classe de produtos ou serviços. Marcas que atuam em frentes diferentes, como produto e serviço, precisam de mais de um pedido.

Preciso pagar alguma coisa depois que a marca é concedida?

Sim. O registro vale dez anos contados da concessão e precisa ser prorrogado por períodos iguais e sucessivos, com nova retribuição. O pedido de prorrogação deve ser feito no último ano de vigência, com possibilidade de prazo extraordinário de seis meses mediante retribuição adicional.

Se a marca for indeferida, o dinheiro volta?

Não. A retribuição do pedido remunera o exame, não o resultado. Por isso a busca de viabilidade prévia é o que mais protege o investimento: ela identifica colidências antes do depósito e evita gastar com um pedido que já nasce com risco alto.

Dá para registrar sozinho, sem escritório?

Legalmente, sim. O sistema e-INPI é aberto a qualquer pessoa. O risco está na classificação errada, na especificação mal redigida e na perda de prazos de defesa, três erros que costumam custar mais do que a assessoria teria custado.

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